Podem parecer cenas de um jardim zoológico, mas essa área de mata no bairo Zé Pereira funciona como uma extensão do quintal da "Mãe dos Bichos" em Campo Grande, MS, Cléo dos Santos, 48 anos. Três vezes ao dia, Cléo fornece alimentos para dezenas de macacos prego, quatis, cotias, bugio, capivara e até um jacaré, aos quais identifica por nomes como Bella, Terê e outros.
Há oito anos, Cléo conversa com eles, como se fossem filhos, aos quais adotou desde que observou que eles comiam alimentos encontrados no lixo jogado na região. Ela teve medo de que fossem envenenados, porque vizinhos costumam colocar veneno na comida para matar gatos da redondeza.
"No começo eram bem ariscos, mas se acostumaram," segundo conta. Hoje, atendem apenas ao comando dela, quando os chama pelo nome. Ela afirma que gosta muito de animais, mas que gostaria que mais pessoas colaborassem na preservação do ambiente e da fauna no local.
"Sábado, domingo e feriado, muitas pessoas aparecem por aqui para observar os animais. Mas novas ruas e avenidas foram abertas e asfaltadas aqui por perto e têm ocorrido muitos atropelamentos, porque os animais às vezes atravessam as ruas. E as pessoas não respeitam, passam em alta velocidade, não param. Precisaria ter uma passarela subterrânea ou aérea para que os bichos pudessem atravessar com segurança," reivindica.
"Falta também consciência. Jogam muito lixo na rua, colocam fogo, e as faíscas atingem a mata, incendeia... Toda semana eu tenho de chamar os bombeiros e ajudar a apagar o fogo. Gostaria que isso aqui fosse uma estação ecológica."